Relatório de Estabilidade Financeira, novembro 2014, BdP

Página criada: Quarta-feira, 12 Novembro 2014 15:30GMT | Atualizada: Terça-feira, 26 Maio 2015 16:11GMT

Relatório:  12 novembro 2014 - 66 Página(s)
Palavras-Chave:
Empresas não Financeiras  Famílias  Sector Bancário  Sector Financeiro

O Relatório de Estabilidade Financeira de novembro de 2014, divulgado hoje pelo Banco de Portugal, permite concluir que:
Apesar dos significativos progressos alcançados durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), designadamente a nível da consolidação orçamental, da desalavancagem do setor privado não financeiro e da supervisão do sistema financeiro e da solvabilidade das instituições de crédito, a economia portuguesa continua a apresentar vulnerabilidades que requerem a prossecução e, em algumas áreas, o aprofundamento do processo de ajustamento. De entre estas vulnerabilidades, destacam-se o reduzido crescimento potencial da economia portuguesa e o elevado endividamento dos setores privado e público. Garantir, simultaneamente, o crescimento económico – alocando o investimento a setores com elevada produtividade e procura sustentável – e a desalavancagem dos vários setores da economia portuguesa é claramente um dos maiores desafios da atualidade.

O ajustamento verificado durante o PAEF foi, porém, heterogéneo entre os setores residentes. Nos particulares, o ajustamento foi assinalável: apesar da contração no rendimento disponível, a taxa de poupança aumentou significativamente e o endividamento diminuiu. As sociedades não financeiras têm vindo a reduzir os níveis de endividamento de forma mais lenta, existindo ainda um conjunto significativo de empresas demasiado alavancadas. Neste contexto, é essencial definir uma estratégia coerente e abrangente que promova a capitalização destas empresas, fator essencial para compatibilizar investimento, crescimento económico e redução dos níveis de endividamento. No que se refere ao setor público, apesar da consolidação orçamental sem precedente observada nos últimos anos, os níveis de dívida não permitem aliviar o esforço de ajustamento.

A situação de liquidez e de solvabilidade do setor bancário português melhorou significativamente e o ajustamento observado nos restantes setores de economia refletiu-se na desalavancagem das instituições de crédito. A recuperação da rendibilidade continua a ser um dos principais desafios do setor. Na definição dos seus modelos de negócio, as instituições devem ter presente um contexto macroeconómico de reduzido crescimento potencial e de taxas de juro tendencialmente baixas e evitar a excessiva assunção de riscos e a excessiva concentração em determinadas atividades ou mercados. Devem igualmente considerar um aumento da concorrência, decorrente da concretização da União Bancária, e o impacto – em termos de custo e de volume de financiamento – das novas exigências regulamentares.

A reversão do movimento de “search for yield” associado à tomada de risco financeiro que tem vindo a observar-se no atual contexto poderá ter consequências adversas sobre a estabilidade financeira, nomeadamente sobre o custo de financiamento e sobre a valorização dos ativos financeiros detidos pelos agentes económicos. Neste contexto, o aprofundamento do processo de ajustamento da economia portuguesa é fundamental para manter a credibilidade externa do país e limitar a subida do custo de financiamento a suportar pelos vários setores económicos residentes.

A elevada exposição das instituições financeiras a ativos imobiliários é um risco que necessita de ser monitorizado. Apesar dos sinais de recuperação registados no mercado imobiliário e da evidência que aponta para o alinhamento dos preços dos ativos imobiliários residenciais com alguns determinantes fundamentais, não será de excluir uma possível diminuição dos preços, com impacto sobre o balanço dos bancos. Esta situação requer, assim, uma permanente monitorização das carteiras das instituições de crédito, através de inspeções regulares e abrangentes, e um adequado registo de imparidades.

Para que a conduta das instituições financeiras contribua para reforçar a confiança no sistema, é necessário criar um quadro de incentivos e definir matrizes organizacionais e de atuação, internas e externas às instituições financeiras, que favoreçam o alinhamento dos interesses individuais com os coletivos. Torna-se também importante, no atual contexto, acompanhar potenciais consequências decorrentes da súbita redução dos níveis de solvabilidade do Banco Espírito Santo que, por sua vez, determinou a aplicação da medida de resolução a esta instituição. Sendo certo que a evolução de um conjunto significativo de indicadores demonstra que o impacto sobre os mercados financeiros foi temporário, há que assegurar o acompanhamento da situação garantindo a manutenção da confiança dos agentes económicos e a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Lisboa, 12 de novembro de 2014


©Bank of Portugal

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Título original:  Relatório de Estabilidade Financeira - novembro de 2014

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