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Deterioração do sentimento de mercado vai subir custos de financiamento – Bruxelas

Página criada: Terça-feira, 23 Dezembro 2014 9:14 GMT

Palavras-Chave:
Comissão Europeia  Financiamento  Pós-troika  Vigilância

A Comissão Europeia considerou hoje que persistem desafios substanciais ao financiamento da dívida portuguesa no médio prazo, alertando que “qualquer deterioração” do sentimento favorável do mercado vai “aumentar os custos de financiamento”.

No relatório sobre a primeira avaliação de monitorização pós-programa de resgate, hoje divulgado, Bruxelas refere que a dívida pública de Portugal é “uma das mais elevadas da Europa e implica grandes necessidades de rolamento [‘roll-over’] da dívida nos próximos anos”.

Os técnicos europeus estimam mesmo que o Estado terá de conseguir em média 14 mil milhões de euros por ano entre 2015 e 2020 “só para refinanciar o ‘stock’ atual da dívida de médio e longo prazo” e sublinham que, além disto, ainda será preciso financiar défices orçamentais, pagamentos em atraso acumulados e outras necessidades inesperadas.

Destacando que “Portugal está atualmente a beneficiar de um ambiente global caracterizado por taxas de juro soberanas excecionalmente baixas”, a Comissão Europeia adverte que “qualquer deterioração deste ambiente vai aumentar os custos de financiamento e pode mudar as estratégias dos investidores”.

Na sua análise à sustentabilidade da dívida pública portuguesa, Bruxelas conclui que “o ritmo de redução da dívida no cenário central é vulnerável em particular aos desenvolvimentos macroeconómicos e financeiros”, mas considera que “a trajetória decrescente do rácio da dívida sobre o PIB [Produto Interno Bruto] pode ser apoiada pela manutenção da disciplina orçamental no médio/longo prazo”.

Além disso, a Comissão Europeia destaca que a “redução sólida” da dívida pública é crucial para o crescimento económico a prazo, o que “aponta para a necessidade de perseverar na implementação das reformas estruturais”.

A Comissão Europeia estima que a dívida pública de Portugal, apurada já segundo o novo Sistema Europeu de Contas (SEC2010), atinja os 127,7% este ano, começando a cair em 2015 (para os 125,1% do PIB) e mantendo-se em queda em 2016 (para os 123,7% do produto).

ND // CSJ