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Presidente do ISP considera que valor máximo da Tranquilidade é de 250 ME

Página criada: Terça-feira, 18 Novembro 2014 14:51 GMT

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O presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, afirmou hoje no parlamento que, de acordo com a análise aos ativos da Tranquilidade, o seu valor anda entre os 200 e os 250 milhões de euros.

“A companhia podia valer entre 200 e 250 milhões de euros. Até pegando nos múltiplos da Fidelidade se podia ver isso”, afirmou na sua audição na comissão de inquérito ao caso BES, apontando para alguns indicadores de ambas as seguradoras, como a quota de mercado, para sustentar a sua análise.

Confrontado com as questões dos deputados sobre se, face à avaliação de 700 milhões de euros da companhia, a oferta de 215 milhões de euros (entre ‘dinheiro vivo’ e garantia de capitalização) que foi apresentada pelos norte-americanos da Apollo ao Novo Banco era baixa, Almaça contrariou várias vezes esta ideia.

E realçou: “Quem tem que definir o valor são o vendedor e o comprador. O supervisor nunca define o preço. Tem que haver um ‘fair value’ [valor justo]” para que o ISP possa validar a operação”.
O responsável reforçou que, à luz da lei, “nada diz” que o supervisor tem que se pronunciar sobre o preço de uma seguradora, até porque “um contrato de compra e venda é um negócio entre particulares”.

Já depois de terem terminado os trabalhos da comissão, Almaça revelou em declarações aos jornalistas que quer dar o parecer final sobre a venda da Tranquilidade à Apollo até ao fim do ano.

Atualmente, o ISP está “a avaliar se o comprador da companhia reúne todos os atributos”, quer comportamentais, quer financeiros, disse José Almaça aos deputados durante a sua audição.

“Tem que ser alguém que seja credível, que tenha ‘know how’ [conhecimento] no setor segurador e com capacidade financeira”, salientou.

Certo é que, para já, “a decisão ainda não está tomada”, já que o ISP está a analisar toda a informação que tem sido enviada pelo comprador.

Almaça garantiu que o supervisor dos seguros e dos fundos de pensões está a assegurar-se de que a operação não compromete o futuro da empresa e que respeita todas as responsabilidades assumidas junto de pensionistas e segurados.

O aval do ISP é fundamental para que o Novo Banco concretize a venda da Tranquilidade aos norte-americanos da Apollo.

A seguradora Tranquilidade fazia parte do Grupo Espírito Santo (GES) e o valor oferecido pela Apollo ronda um total de 215 milhões de euros, dos quais 50 milhões de euros em dinheiro e mais de 150 milhões de euros garantidos para reforçar os capitais da instituição.

Terminada a audição de José Almaça, segue-se, à tarde, a do presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares.

A comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) arrancou na segunda-feira e no total serão ouvidas cerca de 130 personalidades ligadas direta e indiretamente ao assunto.

DN/PPF // CSJ